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Chalé Augusto Cândido. Fonte: Google Street View e 360° |
As nossas cidades interioranas esbanjam de um estilo de vida acolhedor e criativo. Sempre podemos encontrar pessoas conversando pelas calçadas, em suas portas e palas janelas. Parte da sociabilidade urbana interiorana se configura dessa forma.
Nas cidades mais antigas, como é
caso de Santo Antônio, as calçadas eram feitas com medidas largas para que possibilitassem
o caminhar das pessoas enquanto outras sentassem e observassem quem caminhava. É
interessante observarmos como as características arquitetônicas das cidades
antigas eram projetadas levando em consideração a interação social e o convívio
comunitário.
As casas eram pensadas com mais
janelas para as trocas de ar e para quem estivesse dentro da casa observasse
quem estivesse por fora. Muitas delas possuíam pequenos jardins nas suas
laterais, com alguma cerca baixa ou alguma mureta. Assim era o caso do antigo
chalé na atual Avenida Lindolfo Gomes Vidal, a altura do número 91em Santo
Antônio.
Vivia ali um casal tradicional da
cidade, Augusto Cândido e Maria Alice Araújo, a Dona Nenzinha. A residência,
uma das mais charmosas da Rua Grande, reunia em seu estilo eclético, as marcas
da arquitetura da art déco e pós-modernista.
Ambos os estilos marcaram a segunda metade do século XX em nossa cidade.
O chalé possuía um jogo de quedas
d’água que, da rua, podíamos contar nove. As janelas com jardineiras e uma mureta
de gradil em xadrez se uniam a um pequeno jardim a céu aberto com algumas
flores e um pequeno pé de pinha.
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Chalé Augusto Cândido. Fonte: Google Street View e 360° |
Uma pequena área coberta em forma sala de entrada dava lugar a um conjunto de cadeiras para as visitas que a família recebia. Esse chalé de esquina recebia a atenção de todos que por ele passassem. A singeleza e a delicadeza da construção eram cercadas por uma fileira de pequenos pilares rudes. Os artistas que a fizeram não deixaram sua marca. A arte e o saber de se construir algo assim já se perderam no tempo.
Hoje, do chalé restam algumas
fotografias e algumas memórias de vizinhos sobre a beleza da casa e sobre a
gentileza da família que há muito se fora. O chalé de construção criativa e
acolhedora com seu jardim cheio de flores e janelas deram lugar a um terreno
baldio e enlamaçado onde um o outro carro é estacionado. Onde já houve encanto, há também uma
loja de chocolates recém inaugurada.
É realmente triste ver como
algumas das antigas construções encantadoras podem ser perdidas ao longo do
tempo. O chalé descrito, com sua arquitetura eclética, jardim cheio de janelas
e quedas d'água, parecia ter sido um local muito especial e acolhedor. A
combinação dos estilos art déco e pós-modernista
certamente conferiu um charme único à residência e à rua.
As características das calçadas
amplas e das casas com mais janelas evidenciavam a sociabilidade urbana
interiorana, onde as pessoas se reuniam nas calçadas para conversar e observar
quem passava. Essa interação social nas calçadas e a proximidade entre
moradores e seus vizinhos são aspectos que contribuem para um estilo único de
vida comunitária e acolhedora, que hoje, quase não os vemos mais.
Infelizmente, a perda desse chalé e a transformação do local em um terreno baldio e uma lojinha de chocolates representam uma mudança abrupta na paisagem urbana. É comum que o crescimento das cidades traga consigo a perda de construções antigas e a substituição por edifícios mais modernos ou empreendimentos comerciais, ou, pior ainda, um terreno baldio.
No entanto, é importante valorizarmos e preservarmos a memória dessas construções históricas, mesmo que apenas por meio de antigas fotografias e memórias transmitidas por vizinhos mais velhos. Elas são testemunhas de um estilo de vida passado e podem nos conectar com a história e a identidade de nossas cidades.
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Terreno Baldio na Av. Lindolfo Gomes Vidal. Fonte: Google Street View e 360° |
E você, possui alguma memória que vivenciou nesse chalé? Conhece alguma história da nossa cidade que queira compartilhar conosco?
P.S.: as fotografias que compõe esta postagem foram retiradas do Google Street View e 360°, como uma forma de demostrarmos uma possibilidade de uso dessa plataforma de imagens para a produção de conhecimento histórico.
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